Em Busca do Lírio

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Em Busca do Lírio

Mensagem por Statera em Sex Nov 04, 2016 8:44 pm

"O que eu faria se estivesse perdida na mata?”
Era o que Veruza perguntava a si própria. Não porque ela estivesse sonhando acordada como de costume, e tentasse imaginar o que faria nessa situação. E sim porque ela realmente estava perdida. Mas não conseguia lembrar-se de quase nada, nem o porquê dela estar numa floresta sozinha, com um violão nas costas e roupas novas demais para um tour de acampamento. A menina seguiu em frente, guiada pelo som de um pássaro bonito, que insistia em voltar para perto dela cantando, caso ela desviasse do caminho que aparentemente ele mesmo estava traçando. Ela foi, e foi. Arranhou seus braços e pernas em arbustos espinhosos, caiu algumas vezes, e em uma delas quase chorou quando viu que tinha rasgado a capa do violão, perdeu a esperança de achar civilização a alguns quilômetros antes de ouvir muito barulho, quando suas pernas quase não aguentavam mais o peso delas mesmas, quem dirá todo o corpo e o peso do violão.
Mas, chorar?
Não ,essa ação não é do feitio de Veruza.
Quem em sã consciência, em uma situação de perigo, no meio de uma mata desconhecida, ouvindo muito barulho, gritos e estouros, deixaria se guiar por um pássaro só pelo fato dele ter chamado a sua atenção, e de ter um canto que a fez querer dançar? A resposta é: Veruza. Sem mais explicações.
Essa foi a única humana que nos conheceu. Quer saber quem nós somos? Então contarei em suma a nossa longa existência.
Naquele dia fatídico, Nequam e seus cavalheiros: A, Duo e Tribus tinham organizado minuciosamente um ataque surpresa à Statera, nosso lar. Nequam era um rei impiedoso, governava um reino ganancioso. Seu nome não costumava ser pronunciado, pois os que não eram de seu reino o temiam. Menos os de nosso reino. Digo nosso, pois em Statera o povo é dividido em quatro povoados.
Quando Veruza chegou finalmente à civilização, bem que não estava devidamente civilizada naquele dia, percebeu que no primeiro grande espaço havia muitos soldados de armadura vermelha, pátios grandes de treinamento militar e um ar de seriedade apesar da decoração ser digna de uma mulher vaidosa, porém sem tempo para frufrus. O segundo grande espaço mais parecia uma floricultura imensa, muitas árvores, até diria uma floresta, mas não seria adequado já que a organização em que as plantas cresciam separadamente, espécie por espécie, dava um ar de que pessoas as tinham as feito crescerem ali propositalmente, havia também casas pequenas mas nobres, como se as pessoas não passassem muito tempo lá e a tarefa com as plantas os ocupasse com muito gosto. No terceiro grande espaço rios corriam livremente entre cozinhas elegantes e casas cheirosas, havia algumas pessoas conversando e rindo. Veruza se sentiu cansada e tonta, e foi perdendo a visão quando se aproximava ao quarto grande espaço, ela cambaleou e caiu perto a entrada do meu povoado. Sorte dela que meus elfos são leais ao seu juramento mesmo com a minha ausência e o alvoroço de quatro povoados de um reino sem rainhas. Como já tinha contado Nequam era um rei impiedoso. Ele planejou. Invadiu Statera pela manhã e descobriu nosso segredo sagrado. Nossa força era regida por dois grandes cristais, um preto liso e luz opaca, e um branco formado de várias pequenas retas e de brilho que sega por alguns segundos. Você já deve ter imaginado que é a representação da lua e do sol. O que não deve ter imaginado é que se nós ficarmos fora do alcance de uma magia muito antiga lançada sobre esses cristais perdemos a força. E foi sabendo disso que Nequam jogou uma névoa escura sobre nosso reino nos impedia de renovar as forças. Ele invadiu e nos raptou. Depois voltou a Statera para destruir o que pudesse e machucar quem pudesse. Usou isso como tortura para nós, já que tanto eu Caeli, quanto Salutem, Glaciem e Ignis sentiram o sofrimento de nosso povo, cada uma respectivamente ligada ao seu povoado e secundariamente a todo o reino.
Toda a nossa dor não nos impedia de não entregar o reino nas mãos de Nequam. Nem impedia Salutem de ser irônica, zombando dos cavalheiros e da audácia de Nequam. Ignis, por outro lado, tentava se concentrar, seus cabelos pegavam fogo de raiva, mas seus olhos não encaravam Salutem, sua raiva não era pelas piadas, mas sim por odiar ter que perder uma boa briga. Já Glaciem só pensava em acabar com aquilo pra poder voltar a paz de seu reino, ela lembrava do cheiro bom de comida e da paz que era ouvir os rios passando logo perto de sua casa. E eu? Eu protestava a cada frase mal dita daqueles três imbecis que tentavam nos convencer.
A disse: Meninas! É tão fácil. Mas se vocês não entendem eu posso repetir. Eu sou muito paciente e tenho todo o tempo. Mas vocês não - disse em um tom irônico e continuou-  Vocês podem entregar o reino agora, ou... - risos - Todos morem!
Antes que ele pudesse rir outra vez Salutem riu alto. O sorriso sinto em ter que admitir, divino de A se cessou e deu lugar a uma cara de curiosidade. Salutem continuou abafando a risada aos poucos e dando lugar às palavras: ''É mais fácil Glaciem começar a derreter aqui, ou essa borboleta virar um dinossauro, do que entregarmos nosso reino a um louco como o seu rei.''.  Ela disse pausadamente enquanto o encarava com os olhos semi-serrados, o belo cavalheiro dos cabelos pretos e despenteados. Ele arregalou os olhos e disse: ''LOUCO? Se é assim! Tudo bem. Tribus?!
Ele chamou o terceiro cavalheiro que não tinha olhado em nossos olhos e nem dito nada desde então. Tribus olhou diretamente para Salutem e disse: ''Talvez você goste disso. Mas não importa, porque eu vou adorar...''. Caminhou lentamente até perto da cadeira onde ela estava presa e ajoelhou-se. Tirou uma adaga e observou-a com orgulho.
Ignis arregalou os olhos, assustada disse gaguejando: “Quer torturar alguém que goste, então não vai se importar em andar até aqui.''
Tribus olhou e não sentiu nada. Pelo menos se sentiu, não demonstrou. Caminhou lentamente como anteriormente, levantou a adaga na direção do cabelo de Ignis e disse: ''Acho que por aqui as coisas serão mais divertidas. Vamos combinar assim: Enquanto te corto, você se encarrega de apagar esse cabelo. Se não apaga,r eu não paro...''.
Todas nós gritamos simultaneamente: ''NÃO!” . Sabíamos que Ignis não era capaz de não sentir ódio daqueles três.
Glaciem continuou enquanto olhávamos para Ignis:  ''Vamos combinar algo melhor. Vocês soltam Salutem, Ignis e Caeli. Eu fico para garantir que elas vão cumprir com o combinado. Se Caeli não voltar pela manhã para me buscar, com um acordo fechado com Nequam, então vocês fazem o que quiserem comigo.''.
Duo acenou com a cabeça. Aquele menino que tinha ficado todo o tempo olhando para o teto ou pela janela distraído. Tinha focado estranhamente os olhos em Glaciem, assim que ouviu sua voz calma e viu seus olhos sorrirem mesmo estando triste.
Fiquei impressionada com o que Glaciem tinha acabado de dizer. Não porque desconfiasse da sua coragem, mas sim porque apesar de sermos muito unidas, ela e Ignis não se davam muito bem às vezes. Quem percebeu a divergência de personalidades já pode até imaginar o porquê.
Os cavalheiros concordaram. Saímos sem dizer muito. Mas Salutem não podia sair sem uma piscadinha básica para Glaciem. Olhei desconfiada para Salutem, ela apenas sorriu ironicamente em troca.
Saímos da sala e observamos escondidas por um tempo. Eles ficaram por mais uns poucos minutos. Depois saíram rindo. A risada deles provavelmente irritou Ignis que voltou a ficar com os cabelos em chamas.
Salutem puxou o meu braço e disse pra Ignis ficar de olho caso eles voltassem.
Eu ri baixinho e disse: ''Salutem, rainha elementar da terra, ou será que da ironia?''
Fomos até perto da sala aonde Glaciem permanecia em silêncio. Abrimos a porta unindo nossos elementos. Salutem fez uma quase chave e a guiei para que destrancasse todas as fechaduras.
Quando finalmente destrancamos aquela imensa porta forçamos para abrir. Ajudamos a sair de lá desamarrando seu corpo da cadeira. Ao sair suas forças se renovaram, assim como havia acontecido conosco, de imediato. Após isso, todas nós nos unimos em um círculo de mãos dadas. Eu pensei secretamente que nunca iria me acostumar com a sensação. Nossos corpos sendo envolvidos por um calafrio e, de repente puff, literalmente um passe de mágica estávamos dentro da Grande Sala.
Grande Sala é o nome do salão central. Uma sala realmente gigante com dois andares que servia em suma para reuniões em que todo o reino se unia para tomar algumas decisões e no segundo andar era onde ficavam nossos cristais, e aonde fazíamos reuniões secretas ou acordos.
Direcionamos-nos cada uma para uma porta. Cada porta só abria respectivamente com uma de nós e todas elas só abriam se todos nós estivéssemos presentes. Nossos corações apertaram ao ver toda a destruição que aquele homem tinha feito. Caminhamos sem muito ânimo, mas com a força que líderes tinham que ter.
Cada uma de nós tinha tatuado no corpo o animal que tínhamos ganhado de presente da rainha velha. Uma antiga elfa que era rainha antes de nós, que quando morreu dividiu seu poder em quatro elementos, que nos deram vida. Somos nascidas de um sacrifício não podíamos morrer, é como se nossa morte já tivesse acontecido.
Conversamos e tentamos bolar um plano. Mas tudo que me parecia era que seria impossível segui-lo com um completo estranho. Alias o que sabíamos sobre Nequam? Será que o que ouvíamos por aí era realmente verdade? O único modo de saber era indo conversar com ele. Sem plano algum. Sem manipulação. Só com a verdade e a bondade que tínhamos. Porém não queríamos por tudo em jogo com a ira de Ignis nem com as ironias de Salutem que poderiam irritá-lo e quanto a Glaciem, ela já estava abalada demais com tudo isso, por ser muito sensível. Não que eu não fosse, mas algo em mim gritava para que eu fosse sozinha, algo me dizia que aquele era o meu dever. Algo atrás daqueles olhos castanhos me chamava, e diziam que havia bondade e amor.
Fui então descendo as escadas sozinha, olhando para os lados tentando achá-lo depressa. Meu coração estava a mil. Quase passei por ele sem perceber, voltei e o chamei gaguejando. Ele veio em minha direção sério, porém eu vi um sorriso malicioso tentando escapar de seus belos lábios. Eu já tinha o visto quando nos raptaram. Mas não tinha notado ele direito.
O que conversamos eu não posso contar. Tudo que revelo é que todos estavam errados sobre os seus motivos. Nequam já tinha ido a vários reinos a procura de um lírio. Esse lírio era raro e o único que poderia salvar sua prima Lilium de uma maldição horrenda. Mas em todos os reinos eles se recusavam a doar-lhe a flor. Nequam perdeu a fé nos elfos, mesmo que dissessem ser bons e tivessem uma boa fama, quando alguém realmente precisava, eles se revelavam falsos. Então a partir da compaixão, eu doei o meu lírio. Esse lírio não nasce na terra, ele é retirado da alma, leva muito para que a pessoa que o doa consiga renovar suas forças. Por isso é necessária uma conexão de almas. Nequam e eu nos unimos para salvá-la. Salutem uniu-se a A quando descobriu que ele era tão irônico quanto ela e que passava as horas vagas desenhando o que estava em sua volta. Glaciem a Duo, quando finalmente percebeu que ele era louco por ela desde o começo, e que também adorava passar as tardes jogando vídeo game. Veruza uniu-se ao passarinho que na verdade era um garoto que já tinha se perdido naquela mesma mata, tinha sido recolhido e cuidado por nós por um tempo, mas depois decidiu viver na mata para salvar e levar a nós almas boas que se perdessem também. E depois de um tempo teimando, batendo o pé em sinal de birra, e dizendo que seria a única solteira Ignis se uniu a Tribus e juntos aprendiam técnicas novas de combate.
Quem pensa que com essa grande união eles perderam a fama de perversos está muito errado.
Porém o que significa uma aparência para quem realmente ama?

Alunas: Bruna, Emanuelle, Gabriela e Maria Eduarda Gomes 2º01

Statera

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